Ning cobrado: estratégia ou tiro no pé?

Para
os amantes de redes sociais, foi a pior notícia dos últimos meses. Para
quem entende de negócios, uma sacada de mestre. Para os usuários, uma
lástima. Fato é que o Ning, espécie de Blogger para a criação de redes
sociais particulares, anunciou, semana passada, que vai cancelar todos
os seus serviços gratuitos. Para quem ainda não conhece, o Ning é um
coletivo de redes sociais que oferece ferramentas para que grupos criem
redes com temas e propósitos específicos. Criado por Marc Andreesen, o
pai do saudoso browser Netscape, o serviço nasceu em 2005 e já conta
com mais de dois milhões de redes sociais cadastradas.


O Ning já
estava sendo visto pelas empresas como a saída para a eterna falta de
um produto de comunicação interna que, ao mesmo tempo, congregasse as
modernas ferramentas de interatividade próprias das redes sociais.
Entusiasmadas, as companhias correram atrás da criação de suas próprias
redes internas usando a plataforma criada por Andreesen.



Até então, o Ning sobrevivia através de publicidade
inserida dentro das redes gratuitas. Parece que não deu muito certo –
além de cancelar as inscrições gratuitas, o Ning demitiu 40% de seu
quadro de funcionários. Agora, quem quiser criar uma comunidade dentro
do Ning terá de pagar por isso (ou migrar para outro serviço, e há
muitos). Pior: quem já tem rede criada lá dentro vai ser obrigado a se
converter para a versão paga ou cair fora. Há diversos tipos de
serviços Premium oferecidos pelo Ning – vão desde suporte (US$ 10 por
mês); domínios personalizados (US$ 5 mensais); retirada da publicidade
interna (US$ 25 por mês); mais espaço e banda extra (US$ 10 mensais) e
até um serviço que oculta o “dono” da rede social ou os participantes
destas das ferramentas de busca, por exemplo (US$ 25 mensais).


Ainda
não se sabe como o anúncio será recebido pelos usuários – os
moderadores serão avisados aos poucos pela empresa nas próximas semanas
e terão de tomar a decisão de pagar ou migrar. E o que não falta é
empresa querendo oferecer a mesma coisa que Andreesen estava dando para
os usuários Ning – a possibilidade de criação de redes sociais
“verticais” que sejam de mais fácil controle e administração. E, devido
à moderação, a princípio mais seguras.


Quem conhece o
comportamento do internauta “típico” sabe que ele não tem muita
simpatia por serviços pagos, mesmo que custem baratinho. O problema
maior não fica nem por conta do desembolso de recursos, mas pela forma
de fazê-lo (uso de cartão de crédito ou serviços como o PayPal). Ainda
há muita resistência pelo pagamento online – a não ser via lojas
estabelecidas como a Submarino ou Americanas.com. A história da
internet mostra que o “modelo Google”, que é o de oferecer serviços
gratuitos usando e abusando da publicidade para o retorno do
investimento e consequente lucro, deu certo não só para o Google mas
como para o Facebook. Mas parece que a equipe da Ning não conseguiu
criar um plano de negócios que tirasse das mãos dos usuários o ônus do
serviço. Pode ser que a estratégia seja um grande tiro no pé.




Há muitos usuários satisfeitos com o Ning e muitas
empresas babando com a possibilidade de criação de suas redes
personalizadas dentro da plataforma Ning. E vale lembrar que a rede foi
a alegria de muitos educadores, principalmente no Brasil, aonde ainda
se vê o Orkut como ferramenta de entretenimento e, o Facebook,
elitizado demais para ser usado em projetos de educação. O Ning surgiu,
assim, com uma proposta diferente e uma gratuidade muito bem-vinda.
Assim, redes sociais focada em educação se multiplicariam Brasil afora.
E agora, como fica?


Fato é que o Ning já dava sinais de que
alguma coisa estava errada. Um mês atrás, saiu da empresa simplesmente
a co-fundadora e presidente desta – Gina Bianchini, braço direito de
Andreesen na empreitada. A saída não foi muito bem explicada, mas o
mercado já cogitava mudanças (negativas) no serviço. E cá entre nós:
pega muito mal mudar as regras do jogo depois que ele está em
andamento…


E agora, para onde correr? A resposta é simples. Deem uma olhada em http://www.grouply.com/
– o serviço, nos moldes do Ning, não consegue (mesmo) esconder sua
felicidade com o anúncio da cobrança por parte do concorrente. E
estampou logo em sua Home a seguinte frase “procurando por uma
alternativa ao Ning?”. Outro que ficou contente da vida foi o Grou.ps
http://grou.ps/ningexodus,
considerado o principal concorrente do Ning – chegou a criar uma
comunidade online para ajudar àqueles que não pretendem pagar pelos
serviços Ning e querem uma alternativa às pressas.


O Ning era,
até então, a alternativa preferida daqueles que mantinham listas de
discussões via e-mail – seja Yahoo Grupos seja Google Groups, mas já
não viam o uso do e-mail com bons olhos, principalmente sabendo que o
uso do correio eletrônico como ferramenta de comunicação tem tudo para
cair (e muito) nos próximos anos. Assim, uma rede social que
congregasse todos os participantes das listas parecia ser a saída ideal
e natural, com o bônus extra de blogs e álbuns de fotos.



Aqui
no Brasil, o Comitê para a Democratização da Informática (CDI) foi uma
dentre muitas organizações que migrou sua lista do Yahoo Grupos para o
Ning. Acabou criando sua página institucional misturada à rede social,
tudo feito dentro da plataforma, com algum suporte por parte da
empresa. Pouco, mas algum.


Como forma de agrupar pessoas, o Ning
tem se mostrado um serviço interessante, principalmente porque sua
interface é bastante simples e configurar a rede não exige demais do
criador. Os filtros de controle de acesso também funcionam a contento e
caso o dono da rede prefira um layout personalizado, é possível pagar
por isso, assim como os outros serviços mencionados anteriormente.

A Cúpula do Relâmpago Dourado - Nova California Seixas

A notícia ainda vai reverberar. Mas eu já adianto – estava empolgada
com o uso do Ning em vários projetos pessoais e profissionais e vou
rever meu conceito. Afinal, a questão não é pagar, mas saber se é
possível confiar numa empresa que muda as regras no meio do campeonato
e obriga os usuários a segui-las ou cair fora.


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