Aleister Crowley

 
ALEISTER CROWLEY

     

ALEISTER CROWLEY

Edward Alexander Crowley

(1875 – 1947)

Para iniciar esta matéria seria importante salientar
que os dados da carta natal de Mr. Crowley segue
o padrão retificado por Fernando Pessoa, no entanto,
existe uma outra carta astrológica de Crowley,
pouco usada. Esta seria a original segundo o próprio Crowley,
mas acaba por não corresponder com a identidade deste
personagem controverso e misterioso ao mesmo tempo.

Crowley se auto intitulava  “A Besta do apocalipse”,
a história de sua vida nos mostra que sua mãe assim
o chamava “A Besta” pois era muito conflituoso o
relacionamento entre eles.


O pai lhe deixa uma fortuna considerável quando
morre e sua mãe, rígida na educação vai de encontro
com a vontade do jovem, que desde muito novo já
ansiava por correr livremente. A educação rígida
faz com que Crowley crie uma grande aversão para
os dogmas religiosos convencionais da época.

Crowley nasceu em 12 de outubro de 1875, às 23h16,
em Leamington Spa, Inglaterra. Tendo seu ascendente
em Leão, um signo de fogo fixo, o qual indica em primeiro
lugar uma personalidade forte, decisiva e, mesmo que errado,
não volta atrás. Se observássemos apenas o ascendente,
já seria mais que suficiente para determinar muitas
facetas de Crowley, ainda mais que possui a cúspide
da casa dois também em leão, deixando este signo
extremamente forte.

12 de outubro de 1875, às 23h16,
em Leamington Spa, Inglaterra
00e00 52n18 001w31

 


Leão é de princípio ativo, que não aceita ficar
doente ou parado, tem a necessidade de caminhar
livre pelo mundo, que não aceita
ser contrariado ou corrigido.

Crowley pertenceu a várias seitas ocultistas,
maçônicas e dogmáticas e de muitas foi expulso,
em muitos casos por ser intransigente
e abnegado de normas.

Não aceitava ser menos que seus mentores.
Facilmente arrumava inimigos com este aspecto
de sua personalidade forte.

Até mesmo Mussolini o expulsou da Itália quando seus atos,
que não eram feitos “às escuras”,
começaram a chamar muita atenção.

Arrogante e muito orgulhoso, não era
difícil de encontrar-se em situações de confusão.
Mas ao mesmo tempo era idealista, ambicioso, criativo,
romântico e majestoso, o que lhe dava um certo
magnetismo para atrair pessoas para si e para os seus ideais.
Tanto que ainda hoje existem milhares de seguidores
de seus dogmas pelo mundo.


Netuno se encontra na cúspide da segunda casa,
ele é o regente de peixes na nona casa,
e netuno como regente de peixes na segunda
casa mostra que ele gastava o rico dinheiro
que seu pai, um cervejeiro de prestígio, o deixou,
de acordo com suas convicções.

Bem disposto para utilizar da fortuna para
apoiar suas filosofias e conceitos.

Netuno rege as invenções, a originalidade,
a ciência, a magia e o oculto.
É o contraste do interesse de Crowley pela astrologia,
ocultismo, pelas leis da natureza. Porém também
é o signo do futurismo, idéias, conceitos e
filosofias novas era na realidade o seu objetivo,
mas muito utópico. Ele não enxergava a
realidade de forma concreta, era muito
fantasioso em suas próprias teorias e filosofias,
tanto que mudava com muita freqüência aquilo que
acreditava.

Netuno se encontra em detrimento, e Crowley não se
sentia a vontade em lugares que não pertenciam a sua
realidade. Ou seja, era um forte leão se estivesse
num ambiente criado por si mesmo, uma espécie de lar
filosófico, mas seria um total fraco se estivesse
num ambiente que não era seu.



A isto podemos definir que Crowley era consciente
desta situação, pois evitava ao máximo estar em outros
lugares que não correspondesse com o meio ocultista,
boemio e luxurioso.

Com Saturno na casa 8 fazendo oposição exata a Urano,
uma das principais características de Crowley era a
individualidade, o “eu sei tudo”.

Era radical as suas idéias e não via com bons olhos
idéias inovadoras principalmente vindas de outras pessoas.

Esta individualidade em sua vida era tão grande e
preciosa para si, que o levou a adotar a
filosofia de Thelema, lê-se “Télema”, que o
princípio filosófico se resumia em:

“cada homem e cada mulher é uma estrela…
faze o que tu queres, pois há de ser tudo da lei!”

Ou seja, respeite minha individualidade que
respeitarei a sua. Esta filosofia era de
extrema importância para Crowley.

Também de personalidade boemia com Urano na
segunda casa, julgava que a vida noturna e
extremamente boemia era o melhor para seus dogmas.

Um ocultista convicto da magia noturna se sentia
fortemente à vontade em realizar cultos de magia
em meio a orgias, muito álcool e drogas.

As drogas na verdade faziam parte de sua vida,
a princípio indicado como tratamento, utilizou de
heroína até os 72 anos de idade, quando faleceu de
parada cardíaca, provavelmente causada pelo uso
prolongado das drogas e pelo enfraquecimento de sua saúde.

Com Netuno em touro na décima casa fica evidente que o
uso desta substância fez parte de sua vida mais como
uma extensão de sua realidade voltada ao ocultismo do
que um verdadeiro tratamento.

O seu princípio de apoiar a heroína como uma ponte de
ligação entre a realidade humana comum e a realidade
distorcida de seu mundo particular ocultista,
era em suma apenas o gosto pelo vício.

Voltando a Saturno na casa 8, expressando agora a
forma de sua morte, indica que a morte foi solitária
e triste. De uma forma lenta foi definhando a saúde.

Vivia da venda de seus livros e de doações de seus
seguidores, porém a fase final de sua existência foi
relativamente miserável e solitária.

Saturno aqui parece também exercer a função de “juiz”,
onde Crowley deveria  pagar pelos seus delitos e vida
desregrada.

Plutão também em Touro na casa 11 indica um lado
pouco conhecido deste homem, mostra que sua prisão
era ele mesmo e “ele” era o ocultismo que criou.
Mesmo que ele desejasse ser um homem livre vivia
preso em suas próprias filosofias.

Para uma maior compreensão vamos entender como funciona Plutão.
Tradicionalmente, Plutão rege o mundo subterrâneo e o que
não pode ser visto (inclusive os mundos desconhecidos
dentro de você, seu ser submerso ou subconsciente).



O mundo de Crowley sempre foi desde sua juventude
(porque não desde sua infância), o oculto. As aspirações
exotéricas que buscava, que vivia, que ensinava e aprendia,
também o torturavam e o aprisionava dentro de si.
Crowley acreditava que havia percorrido por um caminho
sem volta, e como era um homem que não voltava atrás
de suas decisões, jamais pôde admitir a si mesmo que
sua vida ao mesmo tempo em que liberta aos olhos do
mundo era uma prisão perpétua de sua própria doutrina.
Ele sabia que Thelema era uma filosofia interessante e
até certo ponto verdadeira, no entanto, se ele exigia
que todos respeitassem a sua vontade, por que não
conseguia aceitar a vontade dos outro? Isso não era Thelema,
era “meio Thelema” e isso o consumia em segredo.

Sei que muitos neste momento podem não concordar com
as palavras descritas acima, porém não podem negar o
fato de que assim foi sua vida e a sua personalidade.

Mas Crowley não foi apenas um “monstro”, mas sim um
gênio de extrema inteligência e conhecimento.
Gostaria de lembrar aqui que conhecimento é
diferente de sabedoria.

Com Netuno na casa 10 mostra um verdadeiro espiritualista
que tinha tudo para ser um verdadeiro líder espiritual.
Netuno regente de Peixes que se encontra na casa 9,
que é a espiritualidade, a liberdade de expressão e
ação entra em conflito com Touro que é terra e voltado
à vida material. Touro na casa 10 indica que a vida material
está totalmente ligada a profissão. Crowley tinha
como profissão a sua própria doutrina ocultista.

Ao mesmo tempo em que ganharia dinheiro com sua filosofia,
não conseguia guardar para si próprio, pois gastava
tudo naquilo que acreditava.

Isto o torturava e o incentivava, fazendo com que
fosse mais longe do que qualquer outro líder espiritual.

Urano na casa 2 reforça que sua vida profissional,
podemos chamar assim, estaria ligado a doutrinas e filosofias.
Um grande homem sem dúvida, porém muito controverso.

Uma realidade pode ser retratada aqui com Júpiter na
casa 4 em escorpião e Netuno na casa 10 em touro,
uma quadratura entre estes dois planetas aumenta
e muito a própria confusão interna. Sua filosofia
para si e para os demais era a mais pura verdade
e ao mesmo tempo, duvidava de suas crenças.

Não tinha certeza que trilhava o caminho em que
acreditava. No entanto não deixaria aparecer aos
demais que suas convicções para si mesmo eram confusas.
Esta era a sua prisão com Plutão em touro.

Observe no mapa de Crowley, que Júpiter e Netuno
fazem uma quadratura T com o ascendente, então,
esta dúvida o seguiria por toda a sua vida, pois
fazia parte da sua natureza.

A sua natureza era essencialmente ser controverso,
polêmico, apresentar uma nova filosofia ao mundo,
viver com uma dúvida – que o consumiria por toda
a sua existência – ser um líder religioso ou
filosófico (porém polêmico) e ser julgado por
si mesmo pelos seus atos – aqui gostaria de fazer
um parêntese, explicando que estes atos julgados
são exatamente aqueles que ele mesmo acreditava
como inverídicos, porém, não admitiria a ninguém.
e deixar a sua obra como prova de sua existência e
passagem neste mundo.

———————————————————–

Aleister Crowley foi sem sombra de dúvida o maior mago
do século XX. Suas explorações no campo das drogas e do
sexo são enfatizadas em demasia por quase todas as
pessoas que se põe a falar sobre ele. Essa sua faceta
poderia ser explicada (talvez até possa ser justificada)
como uma fuga genial da pútrida sociedade ultrapuritana
em que foi criado.

O protestantismo vitoriano foi uma das manifestações mais
repressoras de que já se teve notícia e Crowley,
juntamente com alguns artistas de vanguarda de sua
época teve a ousadia de se colocar contra todo esse
sistema de valores e criar um sistema próprio, que por
pior que fosse era melhor do que o sistema estabelecido.

A mente de Crowley, um misto de Nietzsche e Rabelais,
com uma estética egípcia e um negro senso de humor,
era, de certa forma, inescrutável.

Apesar de freudianamente seus complexos serem óbvios,
lendo Crowley nunca se tem certeza do que ele
realmente quis dizer. Ele brincava com o leitor,
geralmente o superestimando (principalmente nos
primeiros livros, cheios de referências obscuras
imprescindíveis para a compreensão da obra).
Apesar disto escreveu excelentes poesia e prosa,
mas que de forma alguma superaram o interesse do
mundo na história de sua vida, atribulada,
trágica e cheia de aventuras como foi, por si
só uma obra de arte.

Crowley nasceu em 1875, filho de um pastor de
uma seita fundamentalista protestante, que também
era dono de uma fábrica de cerveja.
Seu pai morreu cedo, deixando boas lembranças
no menino, mas sua mãe, segundo ele, era uma
"estúpida criatura", e as brigas da adolescência
logo fizeram com que sua mãe o chamasse de "Besta",
apelido que adotou posteriormente e que lhe trouxe
boa parte da fama.

Na escola se mostrou brilhante e obediente, até
que foi culpado injustamente de um pequeno delito
e foi posto de castigo, a pão e água, o que
piorou sua já fraca saúde
(tempos depois lhe receitariam heroína para a asma,
substância que usou até os 72 anos de idade,
quando morreu de parada cardíaca).

Crowley nunca esqueceu desse tratamento,
e desde menino começou a achar que havia algo
de errado com o "senso comum" da época.

Decidiu ser um homem santo, e cometer o maior
pecado, como em uma lenda dos Plymouth Brothers
(culto de seu pai) que afirmava que o maior santo
cometeria o maior pecado.

Na Universidade Crowley finalmente se encontrou.
Com muito dinheiro (da herança de seu pai)
e livre da repressão da família, exerceu todas
as atividades pelas quais ficou conhecido:

alpinismo, poesia, enxadrismo, sexo e magia, e,
dizem, foi excepcional em cada uma delas.
Crowley travou contato com a Golden Dawn, uma
ordem pseudo-maçonica de prática ritualística e
iniciatória que esteve em seu auge no fim
do século passado, quando Crowley a freqüentou.
Subiu rapidamente pelos graus da ordem, mas foi
barrado por um grupo de pessoas que chegaram a
afirmar que a "ordem não era um reformatório".
Crowley era desconsiderado pelos intelectuais e
desprezado pela burguesia, fato que o pode ter
levado a suas inúmeras viagens e expedições de alpinismo.

Crowley pode parecer extremamente arrogante e narcisista
em seus escritos, mas isso não parece ser verdade,
se examinamos sua vida a fundo. Ele sempre buscou
o reconhecimento e aprovação das pessoas,
e quando notou que isso não era possível,
mantendo sua crítica atroz aos absurdos do
puritanismo inglês, ele resolveu aparecer fazendo
escândalos, reais ou falsificados, ao estilo do
estereotipo "falem mal, mas falem".

Mesmo assim em sua autobiografia
("Confessions of Aleister Crowley")
ele se mostrou extremamente magoado quando
a imprensa marrom inglesa
(conhecidíssima até hoje e abominada
pela família real inglesa)
inventava alguma coisa absurda e
terrível ao seu respeito, como em uma
ocasião em que o acusaram de comer carne humana
na expedição ao monte K2.

A Golden Dawn recusou iniciação a Crowley,
mas seu chefe, McGreggor Mathers não.
Talvez interessado no dinheiro do jovem
Aleister Crowley ele o iniciou, e logo se
tornou um mestre para Crowley.

Seus trabalhos mágicos e estudos místicos o
levaram as mais diversas partes do mundo,
experimentando com todas as formas de catarse
e intoxicação, que considerava como bases da religião.

Mas pouco a pouco se distanciava de Mathers,
que a essa altura já havia se proclamado em
contato direto com os "mestres" que regem a terra,
e com isso seu autoritarismo se tornou insuportável.
Crowley foi o único a defendê-lo até o final,
quando percebeu que tudo não passava de uma farsa.

A crença de que existe um grupo de iniciados
secretos que carregam o conhecimento humano e
são os verdadeiros "chefes" da terra é
compartilhada no sentido estritamente literal por
muitas pessoas e seitas. Crowley aceitou essa idéia
de uma forma ou de outra até o fim da vida,
mas empregou diversas interpretações para estas
entidades, algumas baseadas na psicologia
(recém estabelecida como uma
ciência por Freud, na mesma época).

Mas, desiludido com a Golden Dawn, passou alguns
meses afastado da magia, e pouco a pouco se
reaproximou, trabalhando sozinho.

Então numa viagem ao Cairo em 1904,
recém casado, sua esposa começou a falar
algumas coisas estranhas das quais ela não
poderia ter conhecimento. Ela o mandou
invocar o deus Hórus.

Dessa invocação surgiu um texto pequeno,
de três capítulos, intenso e esquisito,
ditado por um dos "ministros" da forma de
Hórus conhecida por "Hoor-Paar-Kraat",
Harpócrates, Hórus, a criança. Aiwass era
o nome dessa entidade, depois reconhecida como
o Sagrado Anjo Guardião do próprio Crowley.

Com isso três coisas estão subentendidas:
Aiwass era um dos "mestres" que regiam o
presente Éon, dedicado ao Deus Hórus, seu mentor;
era também uma entidade não totalmente separada
de Crowley, embora devesse ser tratado como tal,
alguns poderiam dizer que ele era o self
junguiano de Crowley (mesmo ele reconheceu isso),
outros, maldosamente, que era sua Sombra
(termo que em psicologia junguiana designa
a parte de nós que reprimimos e que contém
aquilo que temos medo de admitir);
Crowley demorou cerca de 5 anos para acatar
o que o texto dizia. Uma das profecias previa
a morte de seu filho, que acabou por morrer mesmo,
de doença desconhecida.

Quando finalmente aceitou o Livro da Lei estava
em contato com um corpo germânico de iniciados,
que em outro livro dele ("The Book of Lies")
encontraram um segredo de magia sexual que
pensavam ter o monopólio no ocidente.
Nem Crowley havia entendido o que tinha
escrito, mas aceitou mesmo assim um alta
posição hierárquica na Ordem. Era a Ordo
Templi Orientis, que até hoje detém os direitos
sobre os textos de Crowley posteriores a 1910.

A O.T.O. existe até hoje (ou melhor existem,
visto que houveram cisões e brigas e etc, que
somando com os charlatões, devem somar mais de
30 O.T.Os., por alto. A maioria clama legitimidade.)

Crowley perdeu muito dinheiro publicando seus próprios
livros e os vendendo a preço de banana.
E a incompetência de um tesoureiro da O.T.O.,
que perdeu um galpão cheio de livros num lance
mal entendido até hoje, acabou causando sua bancarrota final.

Além da O.T.O. que tinha bases maçônicas,
Crowley criou um corpo próprio, designado
como A.:.A.:.., esse corpo, muito mais velado,
deveria servir como que "escola de treinamento"
para os possíveis "mestres" da humanidade.

Crowley sobreviveu de doações e venda de
livros até o fim da vida. E morreu em relativa
miséria, ainda viciado em heroína, pouco tempo
depois de terminar seu último trabalho, um livro
sobre o Tarô que Lady Frieda Harris havia pintado
com suas indicações. Um baralho magnífico.

Bibliografia:

"Confessions of Aleister Crowley", A. Crowley, Penguin
"The Eye in the Triangle", Israel Regardie, New Falcon Publications
"The Legacy of the Beast", Gerald Suster, Weiser
O melhor é "The Eye in the Triangle". Em português
não se deve deixar de ler o verbete "Aleister Crowley",
na "Enciclopédia do Sobrenatural", da LPM.

Fontes:

Alphalumen

Abarata

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